Os anos foram se mostrando piores em diversos aspectos. Períodos de recaída em uma história que já havia terminado, outras fases de acreditar que eu deveria sumir do mundo, e o momento da terapia, quando tive que abrir o buraco imenso que havia em mim para outra pessoa.
Conversar com uma profissional foi como olhar por diversas horas para um espelho, sem ver realmente meu rosto, mas tudo que está por trás dele. E quando fiz esse raio x, o mundo pareceu desabar. Não existia nada que eu pudesse salvar, e eu não passava de milhões de cacos quebrados jogados ao mar. Com o tempo, o choro veio, mas eu não sentia dor e na verdade o choro era por isso, eu apenas queria sentir algo. Iniciei um processo para fechar aquele buraco em mim, passei a preencher meu ser com atividades, trabalho, amigos, estudos e outro relacionamento. Eu não estava preparada para tudo isso, mas entendia que qualquer coisa era melhor do que o nada que estava dentro de mim.
O saco foi preenchido com milhões de migalhas, até que a frase clichê de que o tempo cura tudo passou a fazer sentido.
Hoje estou preenchida, sinto-me cheia e completa. Honro as migalhas e os cacos quebrados e colados que ajudaram a me preencher. O buraco que estava em mim foi ocupado, mas não só por aquilo que me completava antes e era tão inocente e frágil, o que me completa hoje vem da maturidade, do autoconhecimento e da auto reflexão. Eu não sinto que estou imune a futuras dores ou outros buracos que a vida me fará, mas depois de todo esse processo pelo qual passei, consigo olhar para a minha história com orgulho e me sinto corajosa por ter crescido tanto nessa montanha russa chamada de vida.
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